terça-feira, 1 de julho de 2014

Capitães não podem chorar


Parem as máquinas, temos uma crise! Homens estão chorando em momentos de tensão.

Um país inteiro cria expectativas sobre eles. As mães deles dão aquele telefonema nos dias de folga para lembrar da grande missão que os aguarda. Estádios lotados cantam o hino como se dissessem "estamos de olho". Crianças lembram em um comercial de frango que nunca viram um título. Mas não, eles não podem transparecer o que eles estão sentido.

Se fossem as destemperadas do vôlei tudo bem. Aquelas mulheres choram por qualquer coisa mesmo! Nem metade das pessoas que assistem uma copa param pra ver a final do mundial de vôlei (ainda mais o feminino), mas elas são frágeis e é muita pressão para um bando de mulheres aguentarem, tadinhas.

Agora nossos homens, nossos guerreiros, chorando? E se tiver uma braçadeira no braço então não pode nem se dar ao direito de ter um momento para colocar a cabeça no lugar. Tem que ir pro meio do campo gritar, fingir que nada está acontecendo, não demostrar que ele se importa tanto com aquilo que está triste com a ideia de ver a oportunidade da vida quase escapar pelos dedos.

Se continuar assim qual vai ser o futuro do mundo? Homens chorando nos banheiros do trabalho depois de levar  um esporro injusto? Caras chorando sozinhos no ponto do ônibus ao receber uma notícia triste? Marmanjos saindo de cara inchada do cinema?

Por que não deixamos nossos meninos chorarem em paz? Por que a a constatação que homens podem se sentir frágeis e vulneráveis é uma crise?

sexta-feira, 27 de junho de 2014

A incrível geração das mulheres que acham que são moderninhas mas estão estacionadas na década de 1920

Um texto anda sendo muito compartilhado, você deve ter visto. Dizendo que algumas mulheres são chatas. Bem, algumas mulheres realmente são chatas. Também existem homens chatos, crianças... Até cachorros tem uns chatos. A questão é: o que a gente usa para avaliar a chatice de uma pessoa.

A moça desse texto usa a relação com os homens. As chatas são as mulheres que reclamam dos homens. É bem escrito (muito melhor que qualquer texto que você vá encontrar aqui), com um ritmo legal, cheio de palavras moderninhas, você quase acha que é bacana e já vai compartilhando, mas calma! Checa primeiro se nenhuma página “orgulho de ser machista” já não compartilhou antes de você.

Eu realmente entendo a ‘necessidade’ dessa moça em defender os caras legais. De fato não estamos afogadas em um mundo de babacas. Por sorte eu também estou rodeada de meninos inteligentes, evoluídos e feministas. Mas, moça, quando você ataca as mulheres pelo jeito que elas tratam os homens você está sendo igualzinha às pessoas que julgaram sua avó quando ela se divorciou. Pena que você não captou a mensagem exata que ela estava te dando.

Mulheres são seres independentes dos homens, inclusive no quesito chatice. Eu conheço muita gente chata. Gente que só reclama da vida, gente que finge que a vida dela é muito perfeita, gente que vê filme iraniano e se acha mais inteligente do que eu que prefiro a Disney... Sério, em tempos de mimimi então é só balançar uma árvore que chove gente chata. Mas só as mulheres sozinhas, importante frisar que só as sozinhas, mereceram ter sua chatice destacada no tal texto.

Ao final daqueles parágrafos me senti lendo uma cartilha da década de 20 de ‘como ser boa para conseguir seu homem’, que a chatice só atrapalharia a alcançar o bem maior que é ter um macho ao seu lado. A questão é que não, ninguém precisa se transformar, agir e pensar focada em como conseguir um homem. Ser chato atrapalha em tudo. E ter um homem ao seu lado não garante que você é legal.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Querida Espanha,

Não lamento nem um pouco a eliminação de uma favorita da Copa na primeira fase, não mesmo. Mas, espero que em um momento tão triste e de dificuldade você olhe para trás e reflita sobre tudo o que você fez.

Você não começou a perder esse mundial quando perdeu a Copa das Confederações ano passado. Ou quando nenhum de seus grandiosos times chegou à final da Champions League do ano passado. Você perdeu, Espanha, quando humilhou o Taiti com seus 10 gols naquele 20 de junho no Maracanã. Esse mesmo Maracanã de onde você saiu hoje de cabeça baixa, cheia de vergonha de encarar seus filhos.

Se você não sabia, hoje descobriu algo que o Uruguai aprendeu em 50: praga de Maracanã pega! A sua hora, como aquele estádio inteiro etoou há quase um ano atrás, chegou. Às 16h43 para ser mais exata.Não se ridiculariza um jogador que tem a honra de ser batizado de amador. Não se humilha professores, funcionários públicos e outros trabalhadores triviais que encaram uma viagem perrengue para cruzar meio mundo só pra ter o prazer de jogar uma bola na grama do que já foi do maior do mundo. Não se devolve com antipatia um time que perde, sorri, agradece e ainda presenteia com colares.


Espero que você tenha aprendido, Espanha. Não se chuta cachorro morto. Muito menos no Maracanã.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

A (minha versão da) história por trás do CD da Beyoncé

Minha história por trás do CD da Bey>>> Tudo começa com dois sentimentos contrários: profunda tristeza do luto seguida de extrema alegria pela chegada de Blue
Depois de ouvir ininterruptamente e atrasadamente o último CD da Queen B, fiquei com a impressão de enxergar uma história por trás de toda essa superprodução lançada numa tacada só. Se ela precisava tanto contar uma história, tinha que ser de uma vez, penso eu. O que escrevo aqui não tem nenhuma fonte, é tudo achismo (muito bem fundando em 168 horas de músicas em looping).

Tudo começa com Beyoncé triste, tristinha. A cantora estava lá, no topo do mundo da música com sua legião de fãs apaixonados mas algo fazia falta... Perder um bebê durante a gestação deve ser um baita trauma (Heaven). São sei lá quantos milhões de anos de mulheres sendo colocadas apenas como seres para reprodução, aí vem anos de luta pela igualdade de direitos e poder social... Então uma mulher perde a gravidez e se pergunta se tanta independência financeira e liberdade valem a pena de perder um filho ainda no ventre. Será o universo nos cobrando de volta por termos ousados demais? Será a natureza machista?

Aí ela saiu em turnê para esfriar a cabeça, mostrar que essa natureza machista não ia ganhar dela, reforçar o que ela faz de melhor: ser artista! Só que foi só desanuviar a cabeça, pensar em outra coisa que ela veio! A coisa que ela mais queria e se sentia menos mulher por ter perdido a oportunidade, uma menininha linda para chamar de sua, abraçar, beijar e nunca mais soltar (Blue).

Só que a vida não é um conto de fadas. Nem mesmo para Beyoncé. Por mais que um filho seja a coisa mais desejada do mundo, ele mexe com muita coisa na vida de uma pessoa, e no caso da mulher começa por um fator bem visível: o corpo. Queen B, uma das mulheres mais lindas do mundo, viu seu corpo mudar e sentiu todas a inseguranças que isso trás. 
Até Beyoncé se sente insegura, viu só?
E essas inseguranças todas a fizeram lembrar que essa dor sempre esteve lá, nas cobranças para ela aparecer sempre linda, para ter uma barriga de gravidez redondinha e maravilhosa, e até no boato de que ela seria tão aficionada com suas curvas que não geraria a própria filha para não perdê-las. A beleza pode ser muito cruel (Pretty Hurts) e quando é quase um bem público que todos acham que podem tomar conta pode doer mais ainda.

Mas não é só o corpo que sente a mudança de uma nova vida. O casamento também muda de perspectiva. Se antes eram duas pessoas que se doavam loucamente agora existe uma terceira que demanda de muito mais atenção. É comum a crise de casais pós filhos, por que com ela seria diferente (Mine)? E insegurança no relacionamento traz quem a galope? Ciúmes (Jealous), desconfiança e cobranças (No Angel) e por vezes aquela sensação de que é necessário aproveitar o que se tem antes que acabe (XO).

Vamos dar um tempo para cuidar da família? Vamos... E Bey parou. Focou na vida, na filha, no marido... Mas, workaholic que é workaholic não consegue ficar parada. Ela começou a fazer um CD, mas não era aquilo ainda. Tava fake, tinha uma confiança que ainda não rolava (Standing on the sun). E o cenário da música também não lhe agradava. Era tudo chato, copiado, todas as gravadoras só pensando em como ganhar dinheiro picotando o talento dos artistas em singles (Ghost)...

 “Vamo abrir a porra toda e falar a confusão de coisas que eu tô sentindo?”, deve ter pensando a Diva em algum momento. E assim foi. Tudo numa tacada só.

Ela não conseguia ficar sendo só a mulherzinha de um cara famoso (Flawless), ela precisa de muito mais. Mesmo sabendo da crise que isso podia gerar, mesmo que o seu sucesso pudesse ser uma ameça ao seu casamento e fazer o marido ficar se mordendo de inveja como Ike Turner (Drunk In Love), ela tinha que voltar. Mesmo que a vibe otimista demais tivesse passado, ela não podia deixar de lado o sentimento que já era uma mulher bem grandinha e podia fazer o que queria (Grown Woman).

Ela quer o que toda mulher quer (mas algumas fingem que não porque acham imoral)
E o que a Beyoncé queria fazer depois de ver seu corpo mudar, voltar ao normal e a filha já estar grandinha o suficiente para dormir uma noite inteira sozinha? Sexo. Bey ficou na secura e queria que o marido voltasse a enxergá-la como a mulher gostosa de parar a boathy que ela já foi um dia (Yoncé). E não é só sexo fofo e romântico (Rocket) que ela queria não. É sexo em lugares públicos (Partition), cheio de taras e tapas (Haunted) e agradando ela também (Blow)! Entendeu, Mario Alberto?

E depois de tanto sexo, de se sentir amada e completa de novo, de voltar a trabalhar e se mostrar para o mundo como artista, Bey sentiu o poder de volta às suas mãos, sentiu que o casamento tava forte e que podia até chamar os amigo-tudo para comemorar juntos mais uma vitória, entre elas a mais um hino cantado para Obama. Yes we can! (Superpower).

Pronto! Todas as músicas do CD + faixa bônus e música abandonada em uma história que eu acho que a Beyoncé estava tentando contar para gente. Espero que quem ler se divirta tanto quanto eu me diverti escrevendo.
O que achou da história, Bey?




Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...