terça-feira, 1 de julho de 2014

Capitães não podem chorar


Parem as máquinas, temos uma crise! Homens estão chorando em momentos de tensão.

Um país inteiro cria expectativas sobre eles. As mães deles dão aquele telefonema nos dias de folga para lembrar da grande missão que os aguarda. Estádios lotados cantam o hino como se dissessem "estamos de olho". Crianças lembram em um comercial de frango que nunca viram um título. Mas não, eles não podem transparecer o que eles estão sentido.

Se fossem as destemperadas do vôlei tudo bem. Aquelas mulheres choram por qualquer coisa mesmo! Nem metade das pessoas que assistem uma copa param pra ver a final do mundial de vôlei (ainda mais o feminino), mas elas são frágeis e é muita pressão para um bando de mulheres aguentarem, tadinhas.

Agora nossos homens, nossos guerreiros, chorando? E se tiver uma braçadeira no braço então não pode nem se dar ao direito de ter um momento para colocar a cabeça no lugar. Tem que ir pro meio do campo gritar, fingir que nada está acontecendo, não demostrar que ele se importa tanto com aquilo que está triste com a ideia de ver a oportunidade da vida quase escapar pelos dedos.

Se continuar assim qual vai ser o futuro do mundo? Homens chorando nos banheiros do trabalho depois de levar  um esporro injusto? Caras chorando sozinhos no ponto do ônibus ao receber uma notícia triste? Marmanjos saindo de cara inchada do cinema?

Por que não deixamos nossos meninos chorarem em paz? Por que a a constatação que homens podem se sentir frágeis e vulneráveis é uma crise?

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