Para quem não sabe, estou em uma missão para emagrecer. Me deu a Rita Lee e um belo dia eu decidi mudar e fazer tudo o que eu queria fazer. Fiz matrícula no balé e na natação em academia de grife, comprei linhaça e dezenas de coisas lights para comer ao longo do dia e achei sites que indicam peso ideal e calculadora de calorias.
Parece que quando você está focada em uma coisa na sua vida, todos os links sobre o assunto aparecem. Acontece que hoje eu li muita coisa. De uma pessoa que emagreceu mais de 150 quilos depois de ver uma foto sua ser zoada na internet a uma menina contando sua experiência pessoal com cirurgias plásticas e vi que existe tanta coisa no mundo para se refletir a respeito que fiquei matutando na cabeça e decidi escrever. Simplesmente cismei.
Vivemos no mundo da ditadura da magreza? Ok, vivemos sim. Mas não vou ser hipócrita de ficar usando esse argumento para enaltecer a gordura, porque, convenhamos, precisamos assumir que a obesidade é uma doença séria com proporções mundiais. Aliás, eu acho muito estranho viver em um mundo onde duas das maiores causas de morte são fome e pessoas que comem demais, mas isso é muito mais complexo que qualquer post de blog consegue ser.
Bem ou mal, corpo sempre foi uma coisa que entrou e saiu de moda. Já foi interessante ser cheinha para provar que se comia do bom e do melhor ( a beleza renascentista reedidata por Johanson), ser extremamente magra para parecer uma modelo, ser gostosa e cheia de curvas... Até o corpo mulher-transformer virou um tipo de exigência para quem quer ser musa de carnaval profissional. E é muito doido pensar que uma coisa tão única como o corpo de cada um pode ser ditado por uma moda. Não é que nem um tom de jeans novo que pode ser trocado na fast-fashion da esquina.
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| Divas independente de que padrões se encaixam |
Só que aí entra o caso das pessoas que não estão com um nível de gordura alarmante e entram na nóia de emagrecer. Eu não posso apontar dedos para ninguém, eu quero isso para mim. Minha meta é estar 6 quilos mais magra até meu aniversário (no mínimo). Motivos? Eu me acho mais bonita, tenho medo de engordar descontroladamente se não mudar o ritmo da minha vida e, poxa, eu tô ficando velha!
Mas hoje eu li um post que me fez pensar. A verdade é que uma frase me fez pensar. Era um relato de uma garota mais ou menos da minha idade que resolveu fazer plástica há uns três anos. O pai dela é cirurgião, logo ela tinha a pessoa mais confiável do mundo para fazer o procedimento. Comecei a ler pois ela relatou a experiência de redução de seios (algo que, sinceramente, eu tenho considerado) e lipo nas gordurinhas acima da calça. Foi bem sincero e esclarecedor. Um bom post, na verdade. Só teve algo que li e fiquei meio mimimi.
A menina falava de como sua vida estava hoje, como era mais fácil encontrar biquínis e sutiãs (super acredito), como as malditas gordurinhas não pulavam mais de sua calça e (o que me fez pensar) como sua auto-estima havia melhorado.
Gente, é claro que como você se vê no espelho influencia na sua auto-estima. Mas um pneuzinho de leve é tão importante assim ao ponto de afetá-la? É tão prazeroso fazer exercícios que se sonha em voltar a fazer desde criança, comer uma comidinha leve gostosa, conversar besteiras com o namorado, ajudar a mãe a escolher o piso, receber um abraço de criança e ouvir que você ajudou para que ela tivesse "o melhor dia da vida dela".... Tem tanta, mas tanta, coisa para fazer a gente se sentir feliz, amado e relevante nesse universo que deixar um pneuzinho, ou uma dificuldade de encontrar sutiã (ou ainda um lábio pouco carnudo, um nariz que só você acha grande...) atrapalhar parece tão pouco.

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