- E se não for tudo aquilo o que eu sonhei, o que eu faço?
- Vai ser.
- E se for? O que eu faço depois?
Deu vontade de fazer um post semi-confessional. Por quê? Não sei. Conheci uma menina que fez um mestrado sobre o que leva alguém a fazer um blog confessional e ela não chegou a uma resposta única e fechada. Talvez eu possa soar auto-ajuda, mas preciso dividir este momento, sabe? Então se quiser ser um compartilhado, vem comigo!
(Comecei um post com esse diálogo -que só digo de onde é no final - porque ele resume muita coisa.)
Há alguns anos, pode arredondar para 10, eu tenho um sonho fixo na cabeça. Sonho mesmo, desses que você responde na lata quando te perguntam, que parece ser o ápice do ápice quando se imagina um grande momento da sua vida. Bem, por muito tempo eu tive medo dele. Medo de não conseguir, de descobrir que ele não era isso tudo que eu imaginava e, principalmente, medo de ficar sem sonho nenhum quando esse acabasse.
A verdade é que a realidade é feia. Nos últimos anos vi que a ela pode ter professores malucos e salas sem estrutura. Escolhas injustas, decisões erradas e consequências inesperadas. O sonho intocado é lindo. Nele tudo dá certo. Tudo é grandioso, mirabolante, brilha como purpurina.
Ai, o medo. Ele me apavorou tanto. E o pior deles era o medo de desaprender a sonhar. Sabe quando você se apega ao que tem? E o que eu tinha era o sonho. Transformar ele em um plano era correr o risco de acabar com uma grande frustração na mão, algo tão insano como ter um buquê de flores campestres e trocar por um cacto feio e espinhento. Só que as flores sem água murcham. E meu sonho morria e chorava dentro da redoma de cristal que eu esculpi com meu medo.
(a letra não tem nada a ver com o texto, mas o título é o mesmo e eu amo a música e o clipe em candy colors)
Mas chega uma hora que o medo começa a incomodar você. O sorriso fica preso, o mundo meio cinza e as pessoas viram marionetes de um teatro maldoso. Você perde a vontade de ver os amigos, de deitar na grama, até de pedir colo.
Então eu decidi parar de sentir medo de perder o sonho e finalmente transformá-lo em plano. Percebi que enquanto eu mantivesse essa ideia de que só seria feliz fazendo algo que eu tinha medo de arriscar todas as outras experiências – mesmo que incríveis – soariam menores e incapazes de me atender. Acabei me dando conta que se o sonho realizado não se mostrar tão incrível assim eu vou, ao menos, abrir vaga para que um sonho novo possa tentar me completar.
E graças a isso meu calendário de parede agora tem um novo compromisso que me deixou toda orgulhosa de marcar:
E para quem ficou curioso, o diálogo do início do post é de “Enrolados”, um desenho animado da Disney. Sim, desenho animado. Porque acredito que tudo pode nos inspirar a fazer alguma coisa e repensar nossa posição diante de certas coisas. Com um pouquinho da ajuda desse diálogo agora sou aluna de Roteiro Cinematográfico e estou um passo mais perto de quem sabe, um dia, escrever diálogos como o daí de cima.
Ah, e a próxima fala é:
- É aí que é a melhor parte. Você acha um sonho novo.

Muito bom, Sofia! Acho que quando os planos e os sonhos se embolam, tudo fica ainda melhor!
ResponderExcluirParabéns pelo texto e por viver seu sonho/plano de maneira efetiva!