quinta-feira, 20 de junho de 2013

Amor e acolhimento - O dia em que gostei de futebol

Para uma pessoa que nem time de futebol tem, ficar animada em uma partida é algo extremamente difícil. São 90 minutos de 22 homens que desconheço correndo atrás de uma bola. Geralmente é um tédio sem fim, mas hoje não.

Essa história de ir assistir Espanha X Taiti já vinha há um tempo. Meu namorado tentou vários argumentos para me convencer a ir a um evento que eu não consigo acompanhar por puro tédio."Vamos para ver como Maracanã ficou", não estava nem aí, minha principal memória do estádio é estando no gramado, vendo Madonna cantar. "É a seleção campeã do mundo em campo", para uma pessoa que não entende nada de futebol e nem sabe diferenciar um golaço de um frango, isso não significa nada. O que pesou mesmo mesmo na minha decisão foi o amor, já que sem minha companhia, meu namorado ia acabar não se animando de comprar o ingresso logo e podia até perder a oportunidade de ir nesse tal ensaio de copa.

Esperando o jogo, descubro que a seleção do Taiti é de amadores. Bancários, contadores e quaisquer outras coisas que jogam futebol por amor ao esporte em um país que a principal modalidade esportiva é canoa polinésia (???). A pergunta é: como não sentir uma empatia imediata por esses caras? Como não torcer por 11 camaradas que estão de cabeça erguida prestes a levar um baile da tal melhor equipe do planeta?



E pelo visto não fui só eu que senti isso. Ver a Espanha brincando com um time mal organizado? Que nada! Emocionante foi ver a garra desses caras que jogam movidos pelo amor. E é aí que o tal do espírito acolhedor brasileiro aparece e deixa tudo mais bonito. Para que um Maracanã de torcedores vai perder seu tempo gritando para quem já tem o mundo em suas mãos? Foi lindo cantar, animar e torcer de coração para 11 pessoas que, por amarem tando o futebol, sabem exatamente o que é o Maracanã na história desse esporte.

Eu só pensava: "Que loucura, o cara tem um Maracanã inteiro torcendo por ele contra  Espanha! Quando um bancário ia pensar que passaria por isso". Foi muito mais emocionante que assistir uma disputa entre estrelas publicitárias da Adidas contra as da Nike. Foi ver amor e acolhimento em meio a barulho de balas de borracha.

Espanha, pode esperar, a sua hora vai chegar!

segunda-feira, 15 de abril de 2013

O irmão mimado e xodó da casa foi embora - Saudades da Caçula

Mesmo sumida do blog e até mesmo paradinha nos projetos artesanais do dia a dia, a notícia do incêndio da Caçula do Saara  foi um baque no meu coração. A Caçula é um lugar tão presente na vida da minha família que a primeira coisa que fiz quando soube do acidente foi ligar para minha mãe para saber se por acaso ela tinha acordado com uma vontade louca de ir até lá fazer compras. E tinha.

Outro tinha estava com uma blusa que comprei numa liquidação louca e pensei "poxa, ela ficaria muito mais legal com uns spikes". Quando já estava planejando em pegar o 247 antes de ir para o trabalho na manhã seguinte me dei conta que não saberia para onde ir, ia rodar aquelas ruazinhas como louca atrás de algo que reluzisse.

Foram tantos aniversários totalmente viabilizados lá dentro, tantas ideias que tive junto com minha mãe num brainstorm genético ao esbarrar com uma miçanga, tanta história... E o fogo lambeu tudo! O mais triste é pensar que 90% do Saara está condenado a provavelmente ter o mesmo fim com instalações elétricas mal feitas, falta de vigilância e descaso.

O que estamos esperando? Um incêndio destruir tudo como foi com o Mercadão de Madureira para ganhar uma versão com ar condicionado e ares de shoppingcenter? Eu dispenso, obrigada. Só peço um Saara seguro para seus funcionários e pessoas que adoram as milhares de possibilidades que moram atrás das miçangas, tecidos e tintas que encontramos por lá.

Eis minha singela homenagem, um apanhado de criações e alegrias que não seriam possíveis sem a ajuda da Caçula.

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